Entrevista do Pró-Reitor de Pesquisa ao Jornal da Tarde na TV Cultura

Hoje, dia 28 de abril de 2021, o Prof. Sylvio Canuto, Pró-Reitor de Pesquisa, participou de uma reportagem que foi ao ar no Jornal da Tarde na TV Cultura, sobre o corte de 13% nas bolsas de CNPq.

Veja a reportagem completa em: https://www.youtube.com/watch?v=VwWoTMdCpe0

 

Corte na Pesquisa Científica em 2021

 

Em um momento complicado para a ciência brasileira, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a principal agência de fomento à pesquisa do Governo Federal, só pagará 396 do total de 3.080 projetos de doutorado e pós-doutorado que foram aprovados no último edital.
Com apenas 13% de projetos recebendo, de fato, a bolsa em decorrência do corte de 29% na verba do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), as expectativas de muitos jovens cientistas que se dedicam à pesquisa nacional, de certo, foram frustradas.
O sucateamento de recursos e a redução de investimentos nessas áreas contrariam a valorização recente da ciência pela sociedade, por conta das rápidas reações científicas à pandemia através da vacina contra o coronavírus.
Como foi ressaltado por Sylvio Canuto, Pró-Reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo, em entrevista para o Jornal da Tarde na TV Cultura, exibido nessa tarde de 28 de abril: “A ciência brasileira está pronta para dar um grande salto de qualidade, é o momento de aproveitar que estamos nesse estágio de valorização e estimular o desenvolvimento científico, ao contrário do que, infelizmente, vem acontecendo e estamos presenciando com os cortes contínuos de recursos para a ciência. E isso é particularmente grave quando se percebe que a ciência é uma parte essencial da solução para essa situação dramática que estamos vivendo”.

 


Sylvio Canuto – Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Essa deveria ser uma oportunidade para dar continuidade a pesquisas cientificas, investir no futuro através de programas de mestrado, doutorado, pós-doutorado e iniciações científicas, bem como de valorização dos pesquisadores. Uma vez que a ciências e a tecnologia são pilares fundamentais para a sociedade e que a aplicação desses recursos retornará futuramente para o país.
O CNPq, que completou 70 anos em janeiro e é responsável pelo financiamento de aproximadamente 80 mil bolsas em diversas modalidades, informou, em nota, que não sofreu cortes de recursos e afirmou que a porcentagem de 13% se refere ao atendimento médio padrão diante da grande demanda. A chamada atual previa um total de R$ 35 milhões, dos quais foi aprovado o valor de R$ 23,5 milhões, um saldo que diz respeito a bolsas de estudo no exterior que serão divulgadas quando o cenário da pandemia for mais favorável.
Na prática, as bolsas funcionam como salários, já que o pesquisador beneficiado é proibido de exercer outras atividades remuneradas simultâneas, devendo se dedicar exclusivamente aos projetos de pesquisa que requerem empenho em tempo integral. No entanto, as bolsas não são como empregos, dessa forma, os pesquisadores não recebem certos benefícios trabalhistas como férias e décimo terceiro salário.
Diante dessa situação, o projeto tornar-se inviável para os beneficiários de baixa renda, os quais se encontram desestimulados e, muitas vezes, sem condições de seguir carreira científica por falta de auxílio financeiro. Por sua vez, isso alimenta o fenômeno denominado “fuga dos cérebros”, no qual pesquisadores e cientistas escolhem deixar o país para continuar o desenvolvimento de seus projetos em universidades internacionais que oferecem melhores oportunidades.