USP cria banco para compartilhamento de coleções de células e microrganismos

O projeto permitirá a interação entre os pesquisadores para o desenvolvimento de pesquisa e a troca de expertises em relação a critérios, normas, validação e aspectos éticos voltados às coleções.

Fotomontagem por Rebeca Alencar com imagens de Wikimedia Commons

 

A Pró-Reitoria de Pesquisa está criando uma rede de coleções biológicas de microrganismos e células entre as Unidades de Ensino e Pesquisa da Universidade, batizada de Biobanco CEL-USP (BioCel-USP). O projeto permitirá a interação entre os pesquisadores para o desenvolvimento de pesquisa e a troca de expertises em relação a critérios, normas, validação e aspectos éticos voltados às coleções.

Pró-reitor de Pesquisa – Sylvio Roberto Accioly Canuto – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

“Além de facilitar a interação entre pesquisadores, essa iniciativa almeja algo muito importante que é preservar, catalogar e organizar a riquíssima coleção de materiais biológicos da USP, em alguns casos, coleções mundialmente expressivas. Estamos muito satisfeitos em poder contribuir para a organização e manutenção de infraestrutura de coleções biológicas de células humanas, animais ou de plantas e microrganismos existentes na USP”, destaca o pró-reitor de Pesquisa, Sylvio Roberto Accioly Canuto.A proposta é que seja estabelecida uma rede catalogada de células humanas e animais em uma plataforma on-line para facilitar o acesso dos pesquisadores e dar mais segurança para a realização de estudos, como os relacionados ao desenvolvimento e à produção de insumos biológicos para diagnósticos, vacinas, medicamentos e serviços especializados.

A assessora da Pró-Reitoria, Débora Fior Chadi, conta que, em 2018, em função de uma chamada da Finep para a manutenção da infraestrutura de coleções biológicas de microrganismos diversos, foi desenvolvido um projeto piloto de criação de um biobanco envolvendo quatro unidades: o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o Instituto de Medicina Tropical (IMT) e a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA).

 

Foto: Unsplash

 

A partir desse projeto piloto, surgiu a ideia de expandir o projeto para a criação de um biobanco de cunho institucional, envolvendo as unidades da USP ligadas à área de biológicas e da saúde. Para isso, segundo Débora, foi feito um levantamento junto a essas unidades para verificar a quantidade e a diversidade de coleções que a USP possui e a demanda existente para a organização, identificação, catalogação, manutenção e compartilhamento dessas coleções. “A organização e a maior visibilidade destas coleções podem impulsionar as colaborações entre diferentes grupos de pesquisa”, considera.

Foto: Débora Chadi / IEA-USP

As unidades devem desenvolver um Plano de Gestão para as Coleções de Células e Microrganismos que estão sob sua responsabilidade, considerando a manutenção destas coleções no longo prazo, e enviá-lo à PRP, que concederá apoio financeiro para manutenção de equipamentos; pequenas reformas ou adaptações do laboratório estritamente relacionadas à organização e manutenção da coleção; e apoio a acreditação de coleções.

Estima-se que, hoje, na USP, haja dois milhões de amostras disponíveis nos laboratórios da Universidade, das quais 70% são células e microrganismos.

A previsão é que o BioCel-USP esteja disponível para a comunidade interna até julho de 2022 e, futuramente, a plataforma possa ser compartilhada também com pesquisadores externos à Universidade.

Linhagens de células

O professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), Heidge Fukumasu, coordena o Laboratório de Oncologia Comparada e Translacional, que tem foco na pesquisa e no desenvolvimento de novas terapias para câncer em animais, como cães, gatos e cavalos. “Trabalhamos inicialmente com linhagens de células animais e humanas para os testes iniciais de alvos terapêuticos, análises dos efeitos dos novos candidatos, seletividade, etc. Logo, ter células de ótima qualidade, produzidas em condições ideais e frequentemente validadas é fundamental para nossas pesquisas. Outro uso que temos no laboratório para algumas linhagens de células é no projeto que temos de desenvolvimento de uma vacina para covid-19 a partir do vírus da doença de Newcastle geneticamente modificado”, conta.

Fukumasu considera que a iniciativa pode gerar novas parcerias entre os pesquisadores, fomentar a disseminação de boas práticas no cultivo e manutenção das linhagens e microrganismos, além de estimular a validação e autenticação das linhagens usadas nos laboratórios e capacitação de laboratórios da USP para prestar tal serviço. “Acredito que o projeto vai estimular mais parcerias científicas para o uso da nossa coleção, assim como vai me proporcionar entrar em contato com outros pesquisadores que, por acaso, tenham células e microrganismos que tenhamos interesse em usar para pesquisas”, afirma.

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